serena sobre nós,
senhora dos tempos
e regente dos amantes,
passará.
Blog pessoal de André Camargos, publicitário por profissão e escritor por hobby. Textos diversos como poemas. crônicas, críticas de livros e sugestões de leitura.
Sempre me lembrarei daqueles olhos castanhos claros, me olhando com uma certa curiosidade, convidativos e desafiadores, bem próximos, pairando por um momento. Eu sabia que aquele era o momento. Era um resumo do que eu recentemente tinha descoberto.
A vida oferece, abre frentes e oportunidades, mas o último passo sempre precisa ser dado pela própria pessoa. Quem quer alguma coisa deve confessar sua própria vontade e ser capaz de alcançar aquilo que procura.
Eu poderia ficar ali, perder a hora e perder a garota. Mas eu já não era mais o mesmo e sabia que o sim ou o não dependiam de mim. Eu não imaginava o que viria, não havia futuro naquela hora, apenas o presente que trazia para mim uma mulher linda, mas que já era muito mais que isso.
O mundo tinha conspirado para aquele encontro, um curso de pós-graduação, meses depois um bar e por fim uma caminhada até o carro dela, que se transformou numa agradável conversa e nos levou aquele momento.
A vida tem seus momentos decisivos. Momentos que mudam o rumo de uma vida. Momentos para os que parece que fomos preparados. Lá, na hora, eu não pensava em nada disso, só via aqueles olhos e estava feliz. E foi só o começo de muitas coisas maravilhosas que só uma vida a dois, dia após dia, pode oferecer.
Pois tudo começa e com o tempo se aprofunda, ganha substância e passa a ser parte de quem você é, te melhora como pessoa. E podemos nunca alcançar tudo, mas aquele que pode olhar para outra pessoa com amor, pode dizer que alcançou a completude. Quem sentiu isso em algum momento nunca mais é o mesmo.
Uns muitos futebol
Clube ou bar.
Outros silêncio,
Paz do início do dia,
Um café que basta
E, quem sabe mais tarde,
Um livro.
Se muitos dizem
Que os muitos
São a voz da divindade
Prefiro a voz ao contrário.
Tenho pouca esperança
Na manada dos que são muitos.
Espero mais dos poucos
Dos pequenos
Das ações simples,
Elementares,
Justas e boas.
Antes pouco definido
Temeroso e assustado
Não sabia de simples coisas
Mas sabia de coisas fundamentais.
Papel sangue e alma
Fluíam como se isso
Fizesse parte intrínseca de mim.
Hoje quem se derrama
Parece estrangeiro
Ao que era tão comum.
É outro que diz
Mais confortável
E certamente mais seguro
Porém despojado
De algo perdido em outro tempo.
Saudade estranha.
Pois que não há nada que não guarde em si o potencial de ser belo, justo e perfeito, e onde quer que se olhe há algo de novo acontecendo, algo florescendo mesmo dentre o musgo, vidas se renovando, num refazer inevitável, num crescimento que lembra a busca por conexão das árvores com a terra, se enraizando, ao mesmo tempo em que se lançam ao sol, louvando-o de braços verdes e abertos.