E o sorriso dela ficou comigo.
Poucas palavras pra uma única e bela imagem, que diz tudo na sabedoria e simplicidade do silêncio.
Porém, simplesmente não consigo parar de escrever...
Mesmo que eu não enxergasse, me restaria o olfato e o perfume pairando, pois eu sentiria dela o cheiro da manhã, todo de orvalho e o frescor em verde natural.
O aroma que evoca imagens e bons momentos.
Eu menino, saído da piscina, deitado na pedra morna do beiral, vendo a água cintilando, sentindo o sol presente em seu calor. Tudo era simples. Tudo podendo parar ali mesmo. A sensação de se estar em casa e a casa, podendo ser qualquer lugar.
Mesmo sem olfato, o sol se mostra, pois há a pele, há o tato.
E mesmo sem toque, há a imaginação, o maior de todos os sentidos.
André C.
Blog pessoal de André Camargos, publicitário por profissão e escritor por hobby. Textos diversos como poemas. crônicas, críticas de livros e sugestões de leitura.
Monday, March 31, 2008
Friday, March 28, 2008
Pessoas que põe as outras em caixas OU um hino aos idiotas
Frases interessantes que já ouvi:
"Eles se escondem atrás da:
Caro leitor, marque com um X a opção correta:
a) Sorriso
b) Nariz
c) Parede
d) Deficiência"
Quantas vezes já tive oportunidade de ouvir tal cretinice? Muitas e muitas. Já fui colocado no balaio de gato em que se joga coisas que não se entende. Já me revoltei, já xinguei, dei respostas atravessadas e já fiquei sem reação. Todas as vezes que respondi, destruindo alguns alvos, me senti bem. Sempre que não respondi, me senti mal. Hoje tanto faz, não quero discutir bobagens com ninguém.
Mas é engraçado quando algumas pessoas que também tem alguma deficiência, acreditam que isso basta para tornar duas pessoas próximas. Não basta. Deficiência não é característica de personalidade. Posso ter ou não alguma coisa em comum com outro cadeirante, bem como com qualquer outra pessoa.
Esse tal ELES que não existe. Essa bobagem fatalista de que deficiência é uma coisa ruim pra gente aprender alguma coisa. Quem repete isso não aprendeu nada. Não tenho inclinação nem vontade para mártir nem exemplo.
Eu sempre fiquei a margem dessas bobagens. Cada um tem uma vida, nasceu com diferentes condições (físicas, financeiras, estéticas, sociais, culturais) mas precisa aprender, no fim, a se virar, com mais ou menos gente ajudando.
Já estive com uma boa cota de mulheres, de todo tipo. Já escrevi poesia, já cai de amor. Já tenho meu punhado de histórias de bêbado. Realizei alguns sonhos. Já fiz tatuagem. Já desconcertei fanáticos religiosos (esse povo que mata Jesus, transformando o cara num retrógrado). Já rejeitei e fui rejeitado. Estudei. Me tornei mais independente financeiramente que a maioria das pessoas que conheço. Já levei amigo (e me levaram) pra zona. Descobri coisas que não sei fazer aos montes. Já fiz coisa que eu achei que não ia aprender. Abandonei um monte de coisas que comecei. Tarot, estudar pra concurso, jogar futebol. Fiz poucos amigos. Mas o que eu fiz são mesmo meus amigos. Li muitos livros. Fui em centro espírita. Namorei a distância. Fiquei na amizade quando não era isso que eu queria. Fiz e faço aula de música. Mudei de aparência uma boa quantidade de vezes. Cabelo, barba, cavanhaque, gordo, magro, estilo hippie, "plínio", bermudas. As melhores experiências da minha vida aconteceram quando eu estava sozinho. Mas acontece de eu gostar de gente e sentir aquela urgência social inevitável ao ser humano.
E milhares de outras coisas. Boas ou não, justas ou injustas. Coisas humanas. Posso ser um idiota ou um grande cara. Posso ser milhões de coisas. Isso varia, e muito.
E eu não entro numa caixa. Por ninguém.
Categorizar gente é coisa de autópsia.
Quem respira, muda.
"Eles se escondem atrás da:
Caro leitor, marque com um X a opção correta:
a) Sorriso
b) Nariz
c) Parede
d) Deficiência"
Quantas vezes já tive oportunidade de ouvir tal cretinice? Muitas e muitas. Já fui colocado no balaio de gato em que se joga coisas que não se entende. Já me revoltei, já xinguei, dei respostas atravessadas e já fiquei sem reação. Todas as vezes que respondi, destruindo alguns alvos, me senti bem. Sempre que não respondi, me senti mal. Hoje tanto faz, não quero discutir bobagens com ninguém.
Mas é engraçado quando algumas pessoas que também tem alguma deficiência, acreditam que isso basta para tornar duas pessoas próximas. Não basta. Deficiência não é característica de personalidade. Posso ter ou não alguma coisa em comum com outro cadeirante, bem como com qualquer outra pessoa.
Esse tal ELES que não existe. Essa bobagem fatalista de que deficiência é uma coisa ruim pra gente aprender alguma coisa. Quem repete isso não aprendeu nada. Não tenho inclinação nem vontade para mártir nem exemplo.
Eu sempre fiquei a margem dessas bobagens. Cada um tem uma vida, nasceu com diferentes condições (físicas, financeiras, estéticas, sociais, culturais) mas precisa aprender, no fim, a se virar, com mais ou menos gente ajudando.
Já estive com uma boa cota de mulheres, de todo tipo. Já escrevi poesia, já cai de amor. Já tenho meu punhado de histórias de bêbado. Realizei alguns sonhos. Já fiz tatuagem. Já desconcertei fanáticos religiosos (esse povo que mata Jesus, transformando o cara num retrógrado). Já rejeitei e fui rejeitado. Estudei. Me tornei mais independente financeiramente que a maioria das pessoas que conheço. Já levei amigo (e me levaram) pra zona. Descobri coisas que não sei fazer aos montes. Já fiz coisa que eu achei que não ia aprender. Abandonei um monte de coisas que comecei. Tarot, estudar pra concurso, jogar futebol. Fiz poucos amigos. Mas o que eu fiz são mesmo meus amigos. Li muitos livros. Fui em centro espírita. Namorei a distância. Fiquei na amizade quando não era isso que eu queria. Fiz e faço aula de música. Mudei de aparência uma boa quantidade de vezes. Cabelo, barba, cavanhaque, gordo, magro, estilo hippie, "plínio", bermudas. As melhores experiências da minha vida aconteceram quando eu estava sozinho. Mas acontece de eu gostar de gente e sentir aquela urgência social inevitável ao ser humano.
E milhares de outras coisas. Boas ou não, justas ou injustas. Coisas humanas. Posso ser um idiota ou um grande cara. Posso ser milhões de coisas. Isso varia, e muito.
E eu não entro numa caixa. Por ninguém.
Categorizar gente é coisa de autópsia.
Quem respira, muda.
Monday, March 24, 2008
Meditação
Quando eu olho, eu acho que penso
mas dou um passo atrás
e eu Sinto.
Meu corpo diz que isso é o real.
Mais um passo atrás
quando eu me achava encostado na parede
e fica o silêncio.
Do medo, da aspiração tensa,
gradualmente inspiro:
tempo cortado pelo além da lentidão.
Fica o silêncio da luz.
Abrir os olhos, então,
é ver tudo diferente
no eterno brevemente revelado.
André C.
mas dou um passo atrás
e eu Sinto.
Meu corpo diz que isso é o real.
Mais um passo atrás
quando eu me achava encostado na parede
e fica o silêncio.
Do medo, da aspiração tensa,
gradualmente inspiro:
tempo cortado pelo além da lentidão.
Fica o silêncio da luz.
Abrir os olhos, então,
é ver tudo diferente
no eterno brevemente revelado.
André C.
Gosto e crítica
Não conheço praticamente nenhum crítico que merece o título. Conheço um monte de gente que gosta de um monte de coisas, mas nenhum crítico. Gosto tem a ver com inclinação pessoal. Eu gosto de rock. Crítica tem a ver com avaliação técnica. Odeio música sertaneja, mas tem um ou outro cantor desse tipo de desgraça... ops... desse tipo de """"""música"""""" que, pra minha imensa tristeza, canta tecnicamente bem.
Tive um professor que eu detestava, um sujeito insuportável, chato e metido, mas que deve ter sido o melhor professor da minha época de faculdade, pois era o que mais sabia e o que tinha uma didática matadora.
Tive outro professor, o melhor, que além de saber e conseguir transmitir, era um cara legal. Era realmente um grande cara, como poucos. Lembro dele também.
E teve um monte de professores bem intencionados que eu sequer lembro o nome. Uns legais, outros chatos, mas todos de uma competência "esquecível".
Crítico é o sujeito que avalia as coisas com algum distanciamento. Que consegue suspender seu juízo e colocar olhos mais imparciais. Crítico é o sujeito que ama o amigo, mas nem por isso deixa de ver seus defeitos.
Aliás, tirar os defeitos que uma pessoa tem é tirar parte do que ela tem de humano. A imperfeição faz de nós seres de que se pode ter amor. Tire isso, e fica pouca coisa. Eu ainda vou aprender a amar meus defeitos feito um pai que olha um filho que está aprendendo a andar: ele tropeça e cambaleia, mas é difícil ver algo mais tocante que isso. Difícil ver um potencial de desenvolvimento tão grande quanto esse.
Tudo, no começo, é ilimitado, tende ao infinito.
Paradoxalmente, ai vem a beleza do ideal. Tudo o que pode ser, mesmo que seja no fim bem menos. Mas eu quero me deitar um dia, sábio que aquele é o meu último, e ter meu último suspiro direcionado ao infinito.
Gosto de quem vê um pouco além das coisas, que permite que o mundo tenha algo de fantástico, algo de infinitamente belo.
Gosto das fotos que me fazem perguntar: o que ela está imaginando? Eu olho e vejo uns olhos castanhos, tão jovens, ligeiramente confusos, mas perguntando o que tem para a frente, o que o mundo me reserva. Viajens? Talvez. Poesia. Ah! Se há justiça no mundo, com toda certeza. Que sejam muitas as poesias.
André C.
Tive um professor que eu detestava, um sujeito insuportável, chato e metido, mas que deve ter sido o melhor professor da minha época de faculdade, pois era o que mais sabia e o que tinha uma didática matadora.
Tive outro professor, o melhor, que além de saber e conseguir transmitir, era um cara legal. Era realmente um grande cara, como poucos. Lembro dele também.
E teve um monte de professores bem intencionados que eu sequer lembro o nome. Uns legais, outros chatos, mas todos de uma competência "esquecível".
Crítico é o sujeito que avalia as coisas com algum distanciamento. Que consegue suspender seu juízo e colocar olhos mais imparciais. Crítico é o sujeito que ama o amigo, mas nem por isso deixa de ver seus defeitos.
Aliás, tirar os defeitos que uma pessoa tem é tirar parte do que ela tem de humano. A imperfeição faz de nós seres de que se pode ter amor. Tire isso, e fica pouca coisa. Eu ainda vou aprender a amar meus defeitos feito um pai que olha um filho que está aprendendo a andar: ele tropeça e cambaleia, mas é difícil ver algo mais tocante que isso. Difícil ver um potencial de desenvolvimento tão grande quanto esse.
Tudo, no começo, é ilimitado, tende ao infinito.
Paradoxalmente, ai vem a beleza do ideal. Tudo o que pode ser, mesmo que seja no fim bem menos. Mas eu quero me deitar um dia, sábio que aquele é o meu último, e ter meu último suspiro direcionado ao infinito.
Gosto de quem vê um pouco além das coisas, que permite que o mundo tenha algo de fantástico, algo de infinitamente belo.
Gosto das fotos que me fazem perguntar: o que ela está imaginando? Eu olho e vejo uns olhos castanhos, tão jovens, ligeiramente confusos, mas perguntando o que tem para a frente, o que o mundo me reserva. Viajens? Talvez. Poesia. Ah! Se há justiça no mundo, com toda certeza. Que sejam muitas as poesias.
André C.
Sunday, February 24, 2008
Não foi diferente...
Nem era pra eu ficar triste. Mas por mais distante, por mais longe, por mais impossível que pareça, eu acreditei que, sei lá, no fim do horizonte, podia dar certo. Eu a chamava de minha linda e era a mulher perfeita pra mim. Mas esse tal de amor, difícil de colocar em palavras, pois é coisa que se mostra de olhar, que se mostra numa postura do corpo, que exala, não combina muito com telefone. Tanta busca, toda essa procura.... todo esse não saber. Eu não devia ficar triste. Mas já entendi.
Sentir realmente nada tem a ver com o que parece certo, com o que parece moralmente, socialmente correto. Sentir não tá nem ai para os outros, é algo extremamente pessoal.
Minhas certezas racionais jogadas no buraco por um golpe sutil. Eu quis esse golpe. O que parece forte, certo, acadêmico não resiste ao que parece fraco, intangível.
Eu não devia ficar triste.
Mesmo assim fiquei.
Fazia tempo já, ela já era uma lembrança mas que eu queria para mim. Uma lembrança doce, de um reino meio encantado, mas distante fisicamente, 12 horas distante pra ser mais exato. Como fez diferença essa distância...
Sentir realmente nada tem a ver com o que parece certo, com o que parece moralmente, socialmente correto. Sentir não tá nem ai para os outros, é algo extremamente pessoal.
Minhas certezas racionais jogadas no buraco por um golpe sutil. Eu quis esse golpe. O que parece forte, certo, acadêmico não resiste ao que parece fraco, intangível.
Eu não devia ficar triste.
Mesmo assim fiquei.
Fazia tempo já, ela já era uma lembrança mas que eu queria para mim. Uma lembrança doce, de um reino meio encantado, mas distante fisicamente, 12 horas distante pra ser mais exato. Como fez diferença essa distância...
Monday, November 26, 2007
Do rascunho
Chega um momento
que tenho vontade
de não ter vontade de nada.
Apenas arrancar meu rosto
minha persona rasa
e deixá-lo no palco
ali, largado.
Há cinzas no meu rastro
e as flores se fecham
pois meu céu não é mais
tão azul.
Provavelmente são meus olhos
hoje bem menos verdes
figurados um tanto mais acinzentados.
Quero rasgar algumas páginas,
queimar muitos poemas
e oferecê-los a um mar agitado.
Que as ondas varram
destruindo tudo.
Que depois das ondas
reste apenas o que basta
para recomeçar.
Quero tudo do rascunho.
André C.
que tenho vontade
de não ter vontade de nada.
Apenas arrancar meu rosto
minha persona rasa
e deixá-lo no palco
ali, largado.
Há cinzas no meu rastro
e as flores se fecham
pois meu céu não é mais
tão azul.
Provavelmente são meus olhos
hoje bem menos verdes
figurados um tanto mais acinzentados.
Quero rasgar algumas páginas,
queimar muitos poemas
e oferecê-los a um mar agitado.
Que as ondas varram
destruindo tudo.
Que depois das ondas
reste apenas o que basta
para recomeçar.
Quero tudo do rascunho.
André C.
Friday, November 23, 2007
Saturday, November 17, 2007
Coisas que definem
Algumas coisas definem uma pessoa. Acho que com o tempo as coisas vão se definindo melhor e fica mais fácil de entender nosso porquê no mundo. Nada de papo metafísico. Pra mim é bem óbvio que deus nem ninguém nos deu missão nenhuma ao vir para o mundo. Quem acredita nisso sofre de imaturidade ou precisa desse tipo de segurança pra viver.
Ninguém nos deu nada a fazer. Com a vida, desenvolvendo com ela uma comunhão, construímos nossa via, buscando nossos impulsos e capacidades. Nossas vontades e prazeres em viver. Eu queria que alguém me salvasse mas isso era apenas uma dificuldade em aceitar minhas condições e minha forma de ser. Ninguém pode salvar ninguém. Nem deus, nem jesus, nem buda. Encontrando um desses, matem-os, eles são barreiras para você mesmo.
Algumas coisas me definem. Uma das coisas que sei fazer bem é escrever. Há pouco tempo eu não via existir um André sem isso. Mas parei. E é uma coisa minha, que me dá prazer, que me pacifica, que me desafia. Outra coisa que me define é ler. Adoro ler. Também tinha parado. Ler e escrever costumava roubar a cena do resto da minha vida. Hoje essas duas coisas estão integradas com tudo o mais que compõe a minha forma de ser. Inseparável de mim.
Todo o resto pode ser perdido. Mas não consigo pensar na minha vida sem esses dois elementos. Meus, egoisticamente meus, inegociáveis.
Ninguém nos deu nada a fazer. Com a vida, desenvolvendo com ela uma comunhão, construímos nossa via, buscando nossos impulsos e capacidades. Nossas vontades e prazeres em viver. Eu queria que alguém me salvasse mas isso era apenas uma dificuldade em aceitar minhas condições e minha forma de ser. Ninguém pode salvar ninguém. Nem deus, nem jesus, nem buda. Encontrando um desses, matem-os, eles são barreiras para você mesmo.
Algumas coisas me definem. Uma das coisas que sei fazer bem é escrever. Há pouco tempo eu não via existir um André sem isso. Mas parei. E é uma coisa minha, que me dá prazer, que me pacifica, que me desafia. Outra coisa que me define é ler. Adoro ler. Também tinha parado. Ler e escrever costumava roubar a cena do resto da minha vida. Hoje essas duas coisas estão integradas com tudo o mais que compõe a minha forma de ser. Inseparável de mim.
Todo o resto pode ser perdido. Mas não consigo pensar na minha vida sem esses dois elementos. Meus, egoisticamente meus, inegociáveis.
Saturday, November 03, 2007
um grito no vácuo
Estou de saco cheio. De tudo. Tudo nesse momento não basta. Ou talvez por estar acostumado com o nada, o tudo nem me parece possível. Sonhos. E eu que não tenho planos.
Gosto de que deu errado. Aquele amargor e eu sem saber o que acontece comigo. Fico com a sensação de que me perdi, de que nunca fiz uma coisa certa que fosse na minha vida. Olhar pro mundo e só ver o mundo me parece algo como uma doença. Fico pensando se não quero demais.
Acho que não conseguirei me contentar nunca com o rumo das coisas. Vai ver que meu destino é focar sempre no que falta. Nada parece suficiente. Nunca vou me acostumar com o tal do gênero humano. Sempre existirá uma inevitável distância. Me sinto destemperado, desequilibrado.
E escrevo. E é pra ninguém ouvir ou ler. Um grito no vácuo é ainda um grito??
Quem eu tenho que convencer? Porque se importar com qualquer coisa?? O mundo absurdo, a realidade simples, aceitável e pobre. Merda. Chutei o copo meio vazio e pisei nos cacos com força. Tingi o chão.
Eu, que preciso me ajudar, não consigo. Acho que quero mais é deixar que tudo caia pois eu cansei de segurar. Melhor é ser inútil. Os inúteis são livres pois nada se espera deles. E eu cansei de me imaginar com dívidas. Cansei de ter algo a pagar. Chega dessa culpinha besta, esse moralismo idiota.
E foda-se, por fim. E como diria o Manoel Bandeira, "cansei de poética que não é libertação".
Preciso de mais coisas legais e de menos gente enchendo o saco. Menos pc e mais vida. Menos música e mais canto. Mais gente que soma, que traz prazer, enlevo. Mais de tudo que é diferente, menos, bem menos, do mesmo.
Acredito numa vida mais gratificante. Quero parar de nivelar por baixo, ninguém precisa disso. Quero ir pra me jogar, não só tentar, mas tentar com todas as forças. Me reconhecer no espelho e desejar entrar no mundo, mais e mais.
Eu escrevo pois isso abre portas onde antes não parecia haver. Eu escrevo pois o beco sem saída, limitado por um muro, pode ser escalado. Eu escrevo porque gosto, porque é algo que me define, que me transforma, me desafia e me põe no caos da vida. Escrevo pois assim encontro o que realmente me faz respirar. Eu escrevo pois só eu posso respirar por mim mesmo. Mais ninguém pode. Escrevo pois isso faz parte de mim, integralmente e sem desculpas. Escrevo por acreditar que deve-se conversar também com o demônio, não só com deus.
Escrevo pois o que eu escrevo ninguém mais escreve. Só eu posso, pois ninguém além de mim sou eu.
Gosto de que deu errado. Aquele amargor e eu sem saber o que acontece comigo. Fico com a sensação de que me perdi, de que nunca fiz uma coisa certa que fosse na minha vida. Olhar pro mundo e só ver o mundo me parece algo como uma doença. Fico pensando se não quero demais.
Acho que não conseguirei me contentar nunca com o rumo das coisas. Vai ver que meu destino é focar sempre no que falta. Nada parece suficiente. Nunca vou me acostumar com o tal do gênero humano. Sempre existirá uma inevitável distância. Me sinto destemperado, desequilibrado.
E escrevo. E é pra ninguém ouvir ou ler. Um grito no vácuo é ainda um grito??
Quem eu tenho que convencer? Porque se importar com qualquer coisa?? O mundo absurdo, a realidade simples, aceitável e pobre. Merda. Chutei o copo meio vazio e pisei nos cacos com força. Tingi o chão.
Eu, que preciso me ajudar, não consigo. Acho que quero mais é deixar que tudo caia pois eu cansei de segurar. Melhor é ser inútil. Os inúteis são livres pois nada se espera deles. E eu cansei de me imaginar com dívidas. Cansei de ter algo a pagar. Chega dessa culpinha besta, esse moralismo idiota.
E foda-se, por fim. E como diria o Manoel Bandeira, "cansei de poética que não é libertação".
Preciso de mais coisas legais e de menos gente enchendo o saco. Menos pc e mais vida. Menos música e mais canto. Mais gente que soma, que traz prazer, enlevo. Mais de tudo que é diferente, menos, bem menos, do mesmo.
Acredito numa vida mais gratificante. Quero parar de nivelar por baixo, ninguém precisa disso. Quero ir pra me jogar, não só tentar, mas tentar com todas as forças. Me reconhecer no espelho e desejar entrar no mundo, mais e mais.
Eu escrevo pois isso abre portas onde antes não parecia haver. Eu escrevo pois o beco sem saída, limitado por um muro, pode ser escalado. Eu escrevo porque gosto, porque é algo que me define, que me transforma, me desafia e me põe no caos da vida. Escrevo pois assim encontro o que realmente me faz respirar. Eu escrevo pois só eu posso respirar por mim mesmo. Mais ninguém pode. Escrevo pois isso faz parte de mim, integralmente e sem desculpas. Escrevo por acreditar que deve-se conversar também com o demônio, não só com deus.
Escrevo pois o que eu escrevo ninguém mais escreve. Só eu posso, pois ninguém além de mim sou eu.
Sunday, October 28, 2007
Além do buraco
Será que vale a pena viver cobrindo buracos, fechando túmulos de mortos incessantemente? Somos coveiros apenas, ou algo mais, que busca além de preencher a falta, a fome que nunca cessa, algo mais profundo? Algo mais humano?
Beleza acima
Beleza abaixo
Beleza à direita
Beleza à esquerda
Beleza acima
Beleza abaixo.
Beleza dentro.
Nada está perdido, nem meus olhos estão com defeito... basta mudar a visão e o mundo se revela, novo, vívido, rico de potencialidades. Há um frescor simples. E não há melhor lugar que o aqui. É agora. Definitivamente estou no caminho do pólen. Coisa que nada mais é que aprender a seguir a pulsão de vida e não a de morte. Simples questão de direcionamento de energia.
Eu não preciso treinar mais. O treinamento já é a vida batendo na porta.
Beleza acima
Beleza abaixo
Beleza à direita
Beleza à esquerda
Beleza acima
Beleza abaixo.
Beleza dentro.
Nada está perdido, nem meus olhos estão com defeito... basta mudar a visão e o mundo se revela, novo, vívido, rico de potencialidades. Há um frescor simples. E não há melhor lugar que o aqui. É agora. Definitivamente estou no caminho do pólen. Coisa que nada mais é que aprender a seguir a pulsão de vida e não a de morte. Simples questão de direcionamento de energia.
Eu não preciso treinar mais. O treinamento já é a vida batendo na porta.
Friday, October 19, 2007
Cansei de todas as músicas
Cansei de minhas músicas
e de meus livros roupas poemas..
cansei de quase tudo
menos de mim e do que se esconde
nas frestas
no pouco que a luz transporta.
Nem sei quase nada
e foi no não-saber
onde nada se fixa
que me conheci.
Pouco se sabe
pois geralmente há mesmo pouco
e a humanidade existe
bem escondida nas belas coisas pequenas.
e de meus livros roupas poemas..
cansei de quase tudo
menos de mim e do que se esconde
nas frestas
no pouco que a luz transporta.
Nem sei quase nada
e foi no não-saber
onde nada se fixa
que me conheci.
Pouco se sabe
pois geralmente há mesmo pouco
e a humanidade existe
bem escondida nas belas coisas pequenas.
Sunday, October 07, 2007
E por falar em cravos...
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente nalgum canto de jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente algum cheirinho de alecrim
Tanto Mar - Chico
Fiquei contente
Ainda guardo renitente um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente nalgum canto de jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente algum cheirinho de alecrim
Tanto Mar - Chico
Tuesday, October 02, 2007
E eu com isso
Assim, do nada, eu não me acho mais tão sincero. Nem um grande mentiroso. Tentei, tentei. Tentei tanto que eu nem sei mais o que exatamente andei fazendo. Tentei por mim e por todo mundo. Tudo uma tentativa. Ruminei uma seriedade que não é minha. Mastiguei chumbo que não era meu. Entrei em mato e briga de galo sendo que eu só estava passando por ali muito que por acaso. Cachorro quer correr atrás da cadelinha mas vira pro lado do apito chato do dono. Fico me perguntando: quando foi que as coisas deixaram de ser? Que tudo foi tropeçando pra parar rolando só uns metros a frente?
Fiz foi muito. Fiz pra caralho mesmo. Acho que sou mesmo é doido. Nunca sei se sou eu mesmo. Se sou o que escreve, o que estressa, o que apega, o que chora e o que combate. Sempre nunca sei de muita, muita coisa mesmo. Nem sei direito o que eu digo. Mas eu acabo falando, não dá pra evitar. Pro bem ou pro mal - bem e mal, essas coisas que sempre são na verdade algo que tanto faz - sempre acabo sendo eu até demais. Quem sabe eu não me tiro um pouco da reta. Será que sempre preciso matar no peito? Estou querendo deixar a bola passar, só pra variar.
Se virem!!!
André C.
Fiz foi muito. Fiz pra caralho mesmo. Acho que sou mesmo é doido. Nunca sei se sou eu mesmo. Se sou o que escreve, o que estressa, o que apega, o que chora e o que combate. Sempre nunca sei de muita, muita coisa mesmo. Nem sei direito o que eu digo. Mas eu acabo falando, não dá pra evitar. Pro bem ou pro mal - bem e mal, essas coisas que sempre são na verdade algo que tanto faz - sempre acabo sendo eu até demais. Quem sabe eu não me tiro um pouco da reta. Será que sempre preciso matar no peito? Estou querendo deixar a bola passar, só pra variar.
Se virem!!!
André C.
Sunday, September 30, 2007
Libertação
O que é o jardim do éden senão o útero de uma mãe? No mundo somos jogados, tirados de um lugar confortável, em que todas as nossas necessidades e desejos são satisfeitos sem esforço. Um lugar sem tempo, livre de todos os problemas. Será a vida simplesmente uma cópia mal-feita, pouco satisfatória, desse lugar? Vivemos desejosos e buscando uma alegoria de um momento completo?
Penso que crescer, libertação, tem a ver em romper esse modelo. Fomos jogados. Mas fico na dúvida se existe vida em olhar para trás, na busca da reconstrução do momento perfeito.
Acredito que a culpa nasce desse sentimento de termos sido punidos, expulsos do éden, do útero. Se estamos expostos ao sofrimento é porque fizemos algo de errado. Certas religiões sabem como captar essa culpa arquetípica transformando-a em grandes instituições. Sabem como explorar tal fato, contando com a falta de maturidade de seus seguidores. Estão pouco interessados no desenvolvimento do humano e da humanidade.
Já os grandes mestres espirituais pensam diferente. Propõe um renascimento. "Pare de olhar pra trás e desejar feito uma criança. Como um animal. Deseje com liberdade, como um ser humano."
Não tenho absolutamente nenhuma fé na humanidade, que é apenas uma abstração. Só o indivíduo pode se libertar e viver uma vida humana.
André C.
Penso que crescer, libertação, tem a ver em romper esse modelo. Fomos jogados. Mas fico na dúvida se existe vida em olhar para trás, na busca da reconstrução do momento perfeito.
Acredito que a culpa nasce desse sentimento de termos sido punidos, expulsos do éden, do útero. Se estamos expostos ao sofrimento é porque fizemos algo de errado. Certas religiões sabem como captar essa culpa arquetípica transformando-a em grandes instituições. Sabem como explorar tal fato, contando com a falta de maturidade de seus seguidores. Estão pouco interessados no desenvolvimento do humano e da humanidade.
Já os grandes mestres espirituais pensam diferente. Propõe um renascimento. "Pare de olhar pra trás e desejar feito uma criança. Como um animal. Deseje com liberdade, como um ser humano."
Não tenho absolutamente nenhuma fé na humanidade, que é apenas uma abstração. Só o indivíduo pode se libertar e viver uma vida humana.
André C.
Reflexo
O céu passa
sobre o tampo de vidro da mesa.
Não só a nuvem passa
o prédio também caminha
e uma ponta da árvore.
Sempre preferi a árvore
que cresce e venta.
Os prédios são enormes desafios
mas o humano, assaz pequeno,
precisa de coisas eternas.
Um prédio morre.
Uma árvore lança sementes.
sobre o tampo de vidro da mesa.
Não só a nuvem passa
o prédio também caminha
e uma ponta da árvore.
Sempre preferi a árvore
que cresce e venta.
Os prédios são enormes desafios
mas o humano, assaz pequeno,
precisa de coisas eternas.
Um prédio morre.
Uma árvore lança sementes.
Poema tântrico-meditativo mononumérico em sequência estacionária e, principalmente, (bem) sonoro
11111111111111111111111111111111111111
Instrução: use seus pulmões.
Instrução: use seus pulmões.
Wednesday, September 19, 2007
O sol e o dedo indicador
Enquanto vocês (liberdade de tradutor) estavam se enforcando nas palavras de outros
Morrendo para acreditar no que vocês ouviram
Eu estava olhando diretamente para o sol brilhante.
(While you were hanging yourself on someone else's words
Dying to believe in what you heard
I was staring straight into the shining sun)
A palavra, ou o dedo, apontam o sol.
Mas o sol é o sol, não é dedo nem palavra.
Idiotas olham para o dedo que aponta a Lua e esquecem da Lua.
Leem bíblias em sânscrito, grego, latim, árabe e quetais achando que deus se esconde lá.
Mas a Lua! A Lua é uma outra coisa completamente diferente!
Mais vale o poeta, frustrado por saber que o mundo não cabe num livro,
mas que termina feliz por ter dado o melhor de si à tarefa,
pelo fracasso triunfante, em humildade,
que o teólogo que estuda fantasmagorias.
André C.
Morrendo para acreditar no que vocês ouviram
Eu estava olhando diretamente para o sol brilhante.
(While you were hanging yourself on someone else's words
Dying to believe in what you heard
I was staring straight into the shining sun)
A palavra, ou o dedo, apontam o sol.
Mas o sol é o sol, não é dedo nem palavra.
Idiotas olham para o dedo que aponta a Lua e esquecem da Lua.
Leem bíblias em sânscrito, grego, latim, árabe e quetais achando que deus se esconde lá.
Mas a Lua! A Lua é uma outra coisa completamente diferente!
Mais vale o poeta, frustrado por saber que o mundo não cabe num livro,
mas que termina feliz por ter dado o melhor de si à tarefa,
pelo fracasso triunfante, em humildade,
que o teólogo que estuda fantasmagorias.
André C.
Hey you!!!
O Zen diz que a verdade vive no silêncio. Bem natural que os bons poetas não usem muitas palavras. João Cabral, Antônio Machado, Cecília Meireles, Alberto Caeiro... todos econômicos, todos precisos.
A bíblia do Zen são as histórias. Simples, absurdas e engraçadas. Nada de santos sérios compenetrados e tristes. Nem verdades que valham mais que a vida. Pouca coisa mesmo. Nada de deveres, nada de difícil... o fácil é o certo.
Poucas palavras dizendo muito. Digo isso para apresentar a simplicidade em que se baseia a minha fé na humanidade, nem na humanidade, essa abstração desumanizadora, mas na beleza e potencial do indivíduo. Pink Floyd, com toda aquela atmosfera, ganha mesmo é em um verso bem sacado ou outro.
Hey you,
Don't tell me there's no hope at all.
Together we stand, divided we fall.
Hey you,
Don't help them to bury the light.
Don't give in, without a fight.
Hey you,
Would you help me to carry the stone?
Open your heart, I'm coming home.
As histórias Zen não servem para serem entendidas ou explicadas. Elas devem ser sentidas, experimentadas. Tudo o que vale a pena geralmente não tem significado. Mas têm gosto, aroma e cor. Experimentar a vida, a simplicidade fora das palavras, no dia a dia. Depois, se for o caso, escrever. Escrever só quando algo te impelir pra isso... temos dentro de nós uma instância maior que é sábia. Que se comunica com o mundo sem intermediários, sem precisar dizer em letras.
André C.
A bíblia do Zen são as histórias. Simples, absurdas e engraçadas. Nada de santos sérios compenetrados e tristes. Nem verdades que valham mais que a vida. Pouca coisa mesmo. Nada de deveres, nada de difícil... o fácil é o certo.
Poucas palavras dizendo muito. Digo isso para apresentar a simplicidade em que se baseia a minha fé na humanidade, nem na humanidade, essa abstração desumanizadora, mas na beleza e potencial do indivíduo. Pink Floyd, com toda aquela atmosfera, ganha mesmo é em um verso bem sacado ou outro.
Hey you,
Don't tell me there's no hope at all.
Together we stand, divided we fall.
Hey you,
Don't help them to bury the light.
Don't give in, without a fight.
Hey you,
Would you help me to carry the stone?
Open your heart, I'm coming home.
As histórias Zen não servem para serem entendidas ou explicadas. Elas devem ser sentidas, experimentadas. Tudo o que vale a pena geralmente não tem significado. Mas têm gosto, aroma e cor. Experimentar a vida, a simplicidade fora das palavras, no dia a dia. Depois, se for o caso, escrever. Escrever só quando algo te impelir pra isso... temos dentro de nós uma instância maior que é sábia. Que se comunica com o mundo sem intermediários, sem precisar dizer em letras.
André C.
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