A vida
é bela
é trágica
é grande
é maior ainda
é muda
e cresce
enraiza
e segue.
Blog pessoal de André Camargos, publicitário por profissão e escritor por hobby. Textos diversos como poemas. crônicas, críticas de livros e sugestões de leitura.
Tuesday, March 08, 2016
Friday, March 04, 2016
Livro - Budismo para Leigos
Nascido na Índia e dai se espalhando pela Ásia, chegando ao ocidente no século XX, especialmente no oeste americano, o Budismo, representado para nós por figuras como o Dalai Lama e, para alguns, pelo monge vietnamita Thich Nhat Hanh, ambos laureados pelo Nobel da Paz, atrai curiosos e adeptos de todas as partes do mundo. Seja na figura do mestre zen engraçado ou na famosa tradição da perfeição japonesa, suas ideias e conceitos atraem pessoas muito diferentes, incluindo aparentemente opostos como ateus e religiosos.
De minha parte, o que me atrai no Budismo é o fato de ser uma religião (ou filosofia) bem humorada e viva, muito distante da sisudez e seriedade pregada na maioria das outras, além de aceitar a convivência plena com outras tradições, sem necessidades de autoafirmação e aberta para qualquer pessoa.
Para saber mais sobre o tema, o livro Buddhism for Dummies (traduzido de forma sem graça como Budismo para Leigos) é uma obra surpreendente. Faz parte de uma série que se propõe a explicar um tema desde seus conceitos básicos. Como eu nunca tinha lido nenhuma obra dessa coleção, o que me surpreendeu foi a abrangência do conteúdo, ao mesmo tempo apresentando o básico sobre Budismo mas se aprofundando de forma bem completa em quase tudo sobre o assunto.
Friday, February 19, 2016
Thursday, February 18, 2016
Imagens 2 - Sobre a compaixão
Eu nunca o tinha visto chorar. Engraçado que não me lembro de como estava o rosto dele. Era um lamento bem maior, quando se chora com o corpo, não apenas com os olhos e tudo em nós se torna uma expressão de tristeza. É estranho quando vemos uma de nossas referências dessa forma.
Tuesday, January 19, 2016
Perguntas
O mundo é justo?
O mundo é injusto.
O mundo é injusto?
O mundo é o mundo?
O mundo é o mundo.
O mundo é.
Somos seus ouvidos,
seus olhos,
suas testemunhas passageiras.
Mas não somos sua única voz.
Somos um breve sussurro,
a parte de um canto,
notas breves de uma partitura
de uma história maior.
Sunday, January 17, 2016
Sentidos
Somos os sentidos do mundo. As testemunhas do que se passou e do que acontece em nosso universo. Sem o ser humano não haveria quem olhasse, quem sentisse ou quem registrasse a existência. Não haveria um sentido a ser afirmado e o universo não teria voz, olhos ou ouvidos.
Friday, January 15, 2016
Uma gota
tira tudo de você.
Vão suas roupas, corroídas,
sua respiração, que enfim pára.
Suas forças, pernas e braços,
seus sentidos.
Tudo se vai, é despido
Mas e se, na verdade,
não há o que ser tirado?
Tudo que é seu
não é muita coisa
se "você", "eu" e "nós"
por fim, não existem.
Citando o espanhol Machado,
o que é uma gota de água
que grita ao mar:
"eu sou o mar"?
Wednesday, January 06, 2016
Livro: Why Nations Fail
Dizem que, mais importante que a resposta, é a pergunta que fazemos. Pra mim, um dos grandes questionamentos que tive (e ainda tenho) é o motivo da existência da desigualdade e da pobreza e o porquê de tantas diferenças, principalmente econômicas, entre (e dentro de) países do mundo.
Quando fui procurar explicações, o que encontrei foram lugares comuns compilados e misturados com preconceitos, ideologias, religiões etc. Nenhuma delas fez muito sentido para mim, atribuindo essa miséria a causas metafísicas, ou numa visão torta, culpando exclusivamente o próprio indivíduo, ou o fato dele ser de uma ou outra nacionalidade, dentre outras visões.
Então encontrei esse livro para o Kindle na Amazon.Escrito pelos economistas Daron Acemoglu e James Robinson, “Por que nações fracassam” (Why Nations Fail) propõe uma ideia interessante, que é esmiuçada e detalhada ao longo dos capítulos.
O conceito central é que nações prosperam ou fracassam devido à sua capacidade, ou falta dela, de construir instituições que representem diversos setores e interesses da sociedade, garantindo uma dinâmica em que não haja hegemonia de uma única parte sobre todas as demais.
A evolução dos países de sistemas políticos autocráticos para aqueles mais participativos, se dá a partir da luta de setores, a princípio à margem da sociedade, para conseguirem poder e influência de fazer valer sua voz, sua participação.
Tuesday, January 05, 2016
Cor
Ele se perguntava se um dia aquela realidade se tornaria tão opressiva que ele explodiria. Os carros, a rotina. A natureza sufocada, oprimida pelo concreto. A cidade, concreta demais. As pessoas, concretas demais. Ele mesmo, físico demais.
Alguns até tentam pintar o concreto, mas o cinza paulista sempre predomina, com cores aplicadas sobre sua superfície tomando invariáveis tons sem graça. Ele nunca gostou também dos tons pastéis, pois era como se as cores estivessem envergonhadas de si mesmas.
Que o verde seja verde! E o vermelho, realmente rubro. Que a cor do mundo, da vida, vida mesmo, dê a sua graça. Ele também sabia, mais que tudo, que a melhor tinta de todas sempre foi a imaginação. Que tudo era sempre diferente, mesmo quando não parecia.
Tuesday, December 22, 2015
Ascendente
um fundo azul
feito uma fina pena
desenhando em branco
um traço de fumaça.
Um sinal?
Agouro do porvir?
Ou somente a busca ascendente,
inevitável e instintiva de todos os seres?
Ou ainda mais simples,
apenas um fenômeno atmosférico.
Acho que não.
Um céu azul
é sempre muito mais
que apenas um céu azul.
Friday, November 27, 2015
Sobre Nós
serena sobre nós,
senhora dos tempos
e regente dos amantes,
passará.
Saturday, November 21, 2015
Livros sobre o Japão - Eiji Yoshikawa
Ieyasu Tokugawa, que se tornaria shogun após a morte de Hideyoshi, é também um importante personagem da obra.
Aliás, o grande tema dessas três grandes obras, talvez o mote da história do Japão feudal dos famosos Samurai e do Zen Budismo, é a impermanência de todas as coisas e as diferentes reações de pessoas à essa profunda verdade: todas as coisas passam.
Wednesday, November 11, 2015
Livro Saga Brasileira - Miriam Leitão
Com uma escrita simples e envolvente, o livro "Saga Brasileira", da jornalista Miriam Leitão, nos apresenta a história de nossa economia, com enfoque no período da ditadura e da grande enganação do dito "milagre", até os tempos atuais. Nas palavras dela, a obra narra a conquista do povo brasileiro de uma moeda estável e a grande batalha contra a inflação, derrotada mas ainda à espreita, sempre aguardando a próxima onda de ações populistas tão recorrentes aos governantes.
De forma clara e imparcial, ela relata as boas iniciativas feitas na nossa economia, sem se furtar a tecer críticas aos governantes do Brasil quando necessário. O livro é um grande alerta para a sociedade, um aviso dos riscos que corremos pela constante e repetida irresponsabilidade de nossos políticos.
Outro ponto constante destacado em nossa história, demonstrado em nomes e relatos de pessoas comuns, é a imensa obstinação, capacidade de adaptação e criatividade dos brasileiros para lidar e sobreviver a imensos desafios e dificuldades.
Sunday, November 08, 2015
Fados, rock e mpb
Friday, November 06, 2015
Thursday, November 05, 2015
O Trickster
Apesar do Trapaceiro se apresentar tradicionalmente como um Coiote, uma de suas habilidades é mudar de forma, se apresentando como animal ou ser humano, homem ou mulher, criando confusões para agitar acontecimentos e manter a dinâmica da vida.
Ele ensina que nada é garantido, que nada fica realmente parado, que o caos é vida e que devemos manter o bom humor mesmo no meio da confusão. Muita coisa aparentemente desconexa e louca que acontece pode ter o dedo desse sujeito que, por fim, quer que a gente não pare de criar coisas, fazer arte e rir um pouco. Talvez até rir da grande e séria dama soturna quando ela vier nos alcançar.
Passageiro
Tuesday, November 03, 2015
Imagens - 1
Sempre me lembrarei daqueles olhos castanhos claros, me olhando com uma certa curiosidade, convidativos e desafiadores, bem próximos, pairando por um momento. Eu sabia que aquele era o momento. Era um resumo do que eu recentemente tinha descoberto.
A vida oferece, abre frentes e oportunidades, mas o último passo sempre precisa ser dado pela própria pessoa. Quem quer alguma coisa deve confessar sua própria vontade e ser capaz de alcançar aquilo que procura.
Eu poderia ficar ali, perder a hora e perder a garota. Mas eu já não era mais o mesmo e sabia que o sim ou o não dependiam de mim. Eu não imaginava o que viria, não havia futuro naquela hora, apenas o presente que trazia para mim uma mulher linda, mas que já era muito mais que isso.
O mundo tinha conspirado para aquele encontro, um curso de pós-graduação, meses depois um bar e por fim uma caminhada até o carro dela, que se transformou numa agradável conversa e nos levou aquele momento.
A vida tem seus momentos decisivos. Momentos que mudam o rumo de uma vida. Momentos para os que parece que fomos preparados. Lá, na hora, eu não pensava em nada disso, só via aqueles olhos e estava feliz. E foi só o começo de muitas coisas maravilhosas que só uma vida a dois, dia após dia, pode oferecer.
Pois tudo começa e com o tempo se aprofunda, ganha substância e passa a ser parte de quem você é, te melhora como pessoa. E podemos nunca alcançar tudo, mas aquele que pode olhar para outra pessoa com amor, pode dizer que alcançou a completude. Quem sentiu isso em algum momento nunca mais é o mesmo.
Monday, November 02, 2015
Centro de BH
Mais que isso, conta com a aura presente do senhor Olimpyo, um garçom que dedicou sua vida aquele lugar e que, do alto de seus noventa anos, fez questão de atender a mim, minha mãe e um casal de amigos, numa época em que ele não mais trabalhava. Pra mim foi uma grande honra.
Mas o centro de Belo Horizonte é especialmente caro para mim devido a outra pessoa, fundamental em minha vida.
Pra mim, o Centro de BH sempre lembra minha avó, Dona Marina, com quem, quando criança, pude passear por todas as ruas desse lugar. Andei pela rua Tupis, pela avenida Amazonas, aprendi a amar o Mercado Central e sua diversidade, ouvi de noite o som da subida dos ônibus, amenizado pelos sete andares entre nós e a rua.
Foi lá que aguardei, ansioso, a meia-noite para a abertura dos presentes do natal. De lá pude observar a infinidade de apartamentos ao redor e ver nas ruas todos esses curiosos personagens que vivem nos centros da cidade.
Pude adormecer enquanto minha avó lia salmos para mim. Mesmo que eu não tenha me tornado religioso, a tranquilidade daqueles versos bem lidos, cadenciados, me ensinou bastante sobre fé e paz.
Com minha vó aprendi a gostar das ruas, da vida diurna da cidade, das lojinhas de família e daquela confusão, ainda inocente e desprovida da atual violência, do caminhar frenético das pessoas. Aprendi a ver o potencial de beleza dos prédios do centro, desesperados por uma demão de tinta ou uma reforma que os restaure.
Se é do centro que parecem se desenvolver as cidades, foi de minha avó que se fez minha família, com seu pioneirismo e coragem de enfrentar a vida mesmo numa época de uma sociedade cruel com as mulheres.
Acredito que foi uma pequena revolução de uma pessoa contra as circunstâncias, mas que mudou a rota de nossa família e nos fez mais fortes, prontos para a vida.




